A candidatura patrimonial do conhecimento
Terça, 14 de Fevereiro de 2012
por Acabra .Net
Oficializada a 20 de janeiro, a candidatura da UC a património mundial da humanidade assume-se muito para além do património material histórico de Coimbra. É uma pretensão que associa o passado, presente e futuro nos seus moldes tangíveis e intangíveis. Por Inês Balreira
Recuemos a 2004, ano em que a Universidade de Coimbra (UC) é incluída na lista indicativa pela Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) como candidata à classificação de Património Mundial da Humanidade.
Volvidos nove anos, a 20 de janeiro de 2012, a assinatura do secretário de Estado da Cultura, Francisco Viegas, em representação do Estado português, terminou a odisseia da candidatura, ficando assim formalmente oficializada. Associando o passado, o presente e o futuro, a candidatura, que inclui a Alta e a Rua da Sofia, encontra-se condensada num dossier de duas mil páginas, dividido em sete volumes, onde estão incluídos textos como “a justificação da candidatura, a descrição da área candidata e o respetivo plano de gestão”, bem como a explanação de “vários critérios a que UC é candidata, como a integridade, o bem e a universalidade”, como refere a vice-reitora para a Cultura e Comunicação, Clara Almeida Santos.
Raimundo Mendes da Silva, pró-reitor na equipa de Seabra Santos e responsável pela componente física da candidatura entre 2004 e 2011, conta que “este dossier final é o resultado da atualização do dossier preliminar que foi entregue em dezembro de 2010” à Comissão Nacional da UNESCO. Comparado com o documento entregue em 2010 o dossier final difere apenas em “ajustamentos e melhorias de detalhe que resultam de um processo natural de diálogo”, afirma Raimundo Mendes da Silva, frisando a dinâmica do processo. A vice-reitora para a Cultura e Comunicação revela que “cada vez que é entregue uma versão a UNESCO verifica o cumprimentos de vários critérios”. “Na última versão que foi enviada antes da final havia alguns formulários e questões formais que tinham mudado e tivemos que fazer algumas adaptações, nomeadamente na questão da influência de Coimbra no mundo, que é um dos critérios que a UNESCO analisa”, conta a vice-reitora.
Requalificação do património
Para que os requisitos da UNESCO fossem cumpridos foi necessário proceder à requalificação de vários espaços da UC. Esta requalificação, enquadrada num plano de gestão a 30 anos, já abrangeu espaços como o Laboratório Chimico, que alberga o Museu da Ciência, a Casa das Caldeiras, a Torre da UC, a Via Latina, o Pátio das Escolas e as Escadas de Minerva. Contudo, existem ainda espaços que fazem parte do projeto que ainda não foram requalificados, como é o caso do Tribunal Universitário Judicial Europeu, a Biblioteca da Faculdade de Direito da UC, a segunda fase do Museu da Ciência, o Centro de Interpretação e Divulgação da UC, a Rua da Sofia e o Colégio da Graça que vai alojar o Centro de Documentação 25 de Abril e uma parte do Centro de Estudos Sociais.
O antigo pró-reitor ressalva que durante a elaboração do dossier final foi preciso “adaptar o plano de gestão em função da política universitária e municipal, tendo em atenção as atuais limitações da economia nacional que se repercutem no faseamento e prazos previstos para algumas intervenções”.
No que toca a valores “a UC suportou os custos de funcionamento das equipas de especialistas que elaboraram os planos necessários e produziram o dossier”, revela Raimundo Mendes da Silva, contando ainda que “para tal a universidade teve apoios do Banco Santander Totta”. Parte da investigação foi também financiada “com o apoio de Fundos Estruturais, nomeadamente o Programa Pós-Conhecimento, sendo que, em momentos específicos do processo, houve outras entidades a apoiar eventos e realizações, das quais se destacam a Câmara Municipal de Coimbra, o IGESPAR, o Turismo de Portugal e a própria UNESCO”, acrescenta Raimundo Mendes da Silva.
Uma candidatura para além dos edifícios
Clara Almeida Santos revela que “a candidatura da UC não implica somente a requalificação do edificado”. “A candidatura é muito mais que isso: neste caso particular junta o tangível e o intangível, como é o caso da tradição de Coimbra, o espírito académico, a canção de Coimbra, a língua portuguesa e a importância de Coimbra na expansão da língua portuguesa”, afirma a vice-reitora. “Esta é a candidatura do conhecimento”, acrescenta.
A vice-reitora frisa ainda que a candidatura “é um reconhecimento daquilo que quem conhece a UC já sabe”. “Só quem não conhece a história e o presente da instituição é que tem alguma dúvida quanto ao reconhecimento da UC como património da humanidade”, assevera. Raimundo Mendes da Silva considera que com o reconhecimento, do qual se espera um parecer positivo em 2013, “a universidade cumpre com maior segurança e apoio a sua missão cultural”. Clara Almeida Santos salienta ainda “consequências muito óbvias” deste reconhecimento, como a “maior capacidade de atração em termos de turismo mas também de estudantes, sobretudo os de mobilidade internacional”.






